segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Morte do Amor e Suas Consequências - Continuação

1.3 Do Amor-Sexual segundo Schopenhauer e sua presença na Metafísica do Amor, como ilustração à Morte do Sentimento


Em sua obra "O mundo como vontade e representação", no "Suplemento ao livro quarto", capítulo XLIV, Arthur Schopenhauer apresenta sua Metafísica do Amor, explicando o amor como um sentimento instintivo, meramente físico-sexual. Para ele, o amor enraíza-se somente no instinto natural dos sexos, um impulso sexual "perfeitamente determinado e individualizado". Schopenhauer questiona o porquê de um sentimento causar tanta euforia nos homens, bagunçando a vida de todas as pessoas, tornando sem honra homens honestos, criando disputas e embates, causando assassinatos e suicídios, levando pessoas à loucura e à miséria, confundindo e destruindo tudo por onde passa. Tudo para que cada um encontre seu par.

É bom esclarecer que a visão de Schopenhauer quanto ao amor não é das mais românticas. Ver tal sentimento apenas como um impulso sexual natural simplifica-o de tal maneira, que seria possível formar estratégias baseadas em sua filosofia para alcançar a felicidade com o amor. Porém suas idéias são de grande serventia para explicar a depressão causada por uma decepção amorosa. Atenhamo-nos a esta linha de raciocínio.

Em trecho de seu texto, logo na apresentação da idéia de metafísica, Schopenhauer explica a questão da busca dos seres pelo amor como a importância sumária da composição da próxima geração. É como se a vida fosse uma enorme peça de teatro sem fim, em que os atores desta geração têm a obrigação de preparar a cena para os atores da próxima. Essa composição seria formada pelos impulsos sexuais. Todas as gerações seguintes dependem das relações impulsivas naturais de gerações anteriores, de formas individualizadas, porém sob aspectos gerais. Tudo na verdade não passa de uma satisfação geral do instinto, pela sobrevivência da espécie, sua evolução e garantias de condições promissoras de reprodução. Assim sendo, o amor representa uma condição suprema de existência da espécie, independentemente das individualizações deste sentimento. Como diz Schopenhauer: "É por isso que se torna tão difícil despertar interesse em um drama no qual não existe uma intriga amorosa; ao contrário, mesmo tratado constantemente, o tema nunca se esgota"(Metafísica do Amor, página 83).

É da individualização do impulso sexual como forma de garantia da sobrevivência dos melhores genes, que geralmente é constituída de forma vaga e generalizada (principalmente no sexo masculino), que surge o amor. Determina-se um parceiro ou parceira em especial, pois esta pessoa traz a melhor forma de sobrevivência de sua espécie, de seus genes para as gerações futuras, com certeza de não diminuir as capacidades potenciais de cada indivíduo. Assim, o impulso meramente sexual ilude a consciência, tornando a pessoa escolhida simplesmente para reprodução em um ser especial, digno de admiração. É uma idéia assustadora, mas com sentido. Por mais que se admire e deseje a pessoa amada, o único fim é a reprodução para a garantia de existência da espécie. Isso é provado pelo fato de não bastar que haja o amor recíproco, mas sim o contato pessoal, com fim no gozo físico. É claro que com o avanço tecnológico e o aumento de namoros pela internet, por exemplo, esta teoria pode se tornar ultrapassada, mas desafio qualquer casal de namorados virtuais a não manterem contatos físicos e continuarem a se amar, como dizem que o fazem. Ter certeza de ser amado não consola a ausência do gozo físico, segundo Schopenhauer. No fim, o que importa é que uma criança seja gerada, embora os envolvidos no caso amoroso não tenham consciência disso, enganados como estão pela ilusão do instinto.

Uma das revelações mais surpreendentes está no fato de que, quando um casal se encontra, a análise é feita instantaneamente, a troca de olhares e desejos que acontecem antes mesmo da primeira conversa é por vezes o que define a geração futura. Por essa razão é que existe o chamado "amor à primeira vista". A análise é satisfatória para ambos: a mulher vê no homem, pelos olhos do instinto, aquele que pode garantir a segurança da prole, além de satisfazer os quesitos para sua existência, e o homem vê na mulher uma progenitora capaz de dar á luz filhos saudáveis e com preenchimento de qualidades que lhe são essenciais. Não é preciso haver o amor à primeira vista: o mero interesse já é explicado por esta teoria. Do mesmo modo, se à primeira vista há uma aversão, o instinto está avisando que uma criança gerada de tal relação poderia ser um ser mal formado. "Essa força suprema, que atrai um para o outro dois indivíduos de sexos diferentes, é a vontade da vida manifesta em toda espécie, e procura realizar-se segundo os seus no indivíduo que deles deve nascer" (Schopenhauer, Arthur - "Metafísica do Amor" in "O mundo como vontade e representação", pág. 85).
por Guilherme Peace e Pietro Borghi- continua.

terça-feira, 28 de julho de 2009

As Augustas


ATENÇÃO: O Texto a seguir possui palavras de baixo calão, escritas de modo a melhor expressar seu conteúdo.

A prostituição no Brasil envolve aproximadamente 500 mil garotas, de acordo com estudos realizados por ONGs responsáveis por denúncias generalizadas. A Polícia Rodoviária Federal, em balanço realizado em 2006, mapeou cerca de 1222 pontos, apenas de prostituição infantil. Porém, a idade média da prostituta brasileira é entre 18 e 30 anos. Seus clientes têm idade entre 30 e 40 anos, no geral.
A Rua Augusta, em São Paulo, é conhecida pelos bares e baladas, frequentados por pessoas de todas as idades, em especial jovens com estilos considerados "alternativos". Além disso, a Rua Augusta é conhecida pelos diversos pontos de prostituição, com fácil localização por toda a sua extensão. Andando pela rua em qualquer dia da semana, depois das 21 horas, é comum ser abordado por homens de terno preto, muito bem aparentados, que oferecem os "serviços" da casa para as quais trabalham.
O perfil das prostitutas da Rua Augusta é diferente do perfil das protitutas que fazem ponto em esquinas a céu aberto. A maioria das garotas de programa dali são jovens e muito bonitas, por muitas vezes estudantes universitárias que levam a prostituição como modo de sobrevivência mais fácil, com resultados monetários mais rápidos.

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Em um domingo, caminhando pela Rua Augusta com um amigo, fui abordado por um destes homens que ficam tentando atrair os clientes.
- Vem pra cá! - disse ele, me pegando pelo ombro - Aqui tem bucetadas na cara, sem dó nem piedade!
Chocado por tamanha sinceridade, e achando aquilo bastante engraçado (a situação), me desvencilhei e continuei andando. Meu amigo e eu fomos até um certo bar, onde tocam jazz, tomar uma cerveja. O bar estando fechado, resolvemos saciar nossa curiosidade, entrando em uma das casas, apenas para ver o ambiente.
A luz fraca e a música embriagante emprestavam ao local um ar lascivo, quase letárgico, como em um filme cult. No ar, cheiro de cigarros e perfume barato. Um balcão se estendia à direita, onde um homem com idade aparente de 50 anos preparava alguns drinques. O local estava quase vazio, sendo preenchido apenas por dois homens e duas garotas, uma delas dançando em uma barra de ferro, instalada em um canto do bar.
Como não estávamos ali como clientes, meu amigo e eu pedimos duas cervejas e nos sentamos em uma das mesas, apenas observando a moça que dançava. Eu logo bolei um jeito de saciar minha curiosidade quanto à vida destas garotas, me passando por jornalista (com os diplomas cassados, agora todos o somos).
Uma das garotas se aproximou de nossa mesa, assim que seu cliente foi embora.
- Oi - disse ela, com voz sedutora.
- Oi - respondi, tentando parecer displicente.
A garota se sentou ao meu lado, perto demais para me deixar desconcertado. Procurei manter-me impassível. Era a minha chance de saber tudo o que queria. A postura da garota era a de uma fêmea no cio, mas eu sabia que tudo não passava de uma profissional encenação. Para tirar-lhe de uma vez as chances de me atacar, eu disse:
- Sou jornalista e estou aqui para entrevistar algumas meninas, pois estou fazendo uma matéria sobre os vários lados da prostituição, e me seria muito interessante saber como é a vida das garotas que trabalham aqui, o seu dia-a-dia.
Imediatamente a postura da moça mudou: os ombros se descontraíram e todo o ar luxurioso se esvaiu. Agora ela parecia apenas uma mulher cansada, mas despreocupada.
- Você está gravando ou filmando algo?
- Não - respondi prontamente - Apenas vou fazer algumas anotações posteriormente. Por enquanto só temos que conversar. Aliás, não quero atrapalhar seu trabalho, por isso, se quiser, pode ir fazer o que tem que fazer, e depois conversamos.
- Não - ela retrucou - Tudo bem. Não tem nenhum cliente mesmo. Você pode me dar um cigarro?
Enquanto tirava o cigarro do maço e acendia para a garota, percebi que uma outra moça conversava com meu amigo. Resolvi não interromper minha "entrevista", agora que minha entrevistada parecia mais relaxada.
- Como é o esquema por aqui?
- Bem - ela obviamente havia entendido minha pergunta, pois foi direto ao assunto - Nós cobramos 100 reais, no geral. Oitenta do programa e vinte do quarto. Mas podemos cobrar mais caro, se quisermos.
- Sim, é claro. E o que você faz? Digo, além de trabalhar aqui?
- Bom, eu estudo, namoro, tenho uma vida normal. Isso aqui é só o meu trabalho.
Prestei mais atenção à moça. Realmente, o perfil era o de uma universitária como qualquer outra. Era uma garota bonita, dessas que, ao cruzarmos na rua, temos o impulso quase instintivo de olhar, chamar a atenção. Uma garota como qualquer outra garota bonita e inteligente, que tanto eu quanto meu amigo namoraríamos sem nunca imaginar que era, na verdade, uma prostituta. Esse pensamento me preocupou um pouco. Resolvi fingir que não, e continuar a entrevista.
- E o quê te trouxe a trabalhar com isso?
- O jornal - ela disse, sorrindo, os belos dentes muito bem enfileirados e brancos - Ví um anúncio e resolvi me candidatar.
- Sua família sabe disso?
- Não - percebi uma leve contração em seu cenho - Estou morando em São Paulo para estudar, e minha família não imagina, quanto menos o meu namorado. Você não pode me pagar uma bebida?
- Não - respondi - estou apenas trabalhando.
- Certo. É que ganhamos comissão quando os clientes nos pagam bebidas, além de ser quase uma obrigação fazermos com que paguem.
- Entendo. E como são os clientes? Digo, para eles vocês são realizações de fantasias, ou satisfação das vontades. Mas e para vocês? Como vocês os vêem?
- Depende - ela se inclinou, pensando - Na maioria das vezes não quero nem saber o nome. Faço meu trabalho, seduzo, vendo meu peixe, se é que me entende. Mas tem vezes que o cara é legal, então até rola de pedir pra ele voltar e me escolher novamente.
- E quando o cara não é legal?
- Bem, ou eu não aceito o programa, ou cobro bem caro, para que ele não aceite o programa. Mas às vezes não tem como escapar, e temos que trabalhar do mesmo jeito, sendo o cara legal ou não.
- E vocês conseguem tirar um bom lucro?
- Sim, isso sem dúvida. Não faço isso porque gosto. Faço pelo dinheiro. Tem noite que chego a fazer quatorze programas, cada um a cem reais, fora o quarto. Faça as contas, sou ruim em matemática.
- Mil e quatrocentos reais - eu disse, impressionado - É mais do que ganho em um mês.
- Pois é. Isso em uma noite. Mas no geral são cinco ou seis programas por noite.
- E você trabalha todos os dias?
- Eu não! Senão não aguentaria, já estaria acabada. Tenho vinte e quatro anos, já trabalho há três, e ainda pareço ter dezoito.
- Realmente...
- Então. Se eu trabalhasse todas as noites, não estaria tão bonita. Trabalho três ou quatro noites por semana, no máximo.
- E o seu namorado? O quê você faria se o visse entrando aqui?
- Ele não vai a estes lugares. Mas acho que levaria numa boa. É meu trabalho, e se ele não aceita, não posso fazer nada. Na verdade, um ex-namorado certa vez descobriu, e ficou bastante chateado.
Percebi que meu amigo estava incomodado com a prostituta lhe assediando ao meu lado, e resolvi finalizar o assunto.
- Muito obrigado. Só peço que não conte aos seguranças que sou jornalista, ou posso me encrencar.
- Tudo bem. Foi legal falar com você. É bom conversar com pessoas que não nos enxergam como um pedaço de carne. Volte qualquer dia desses, como cliente.
Sorri com a brincadeira e, chamando meu amigo, me levantei e saí.
Ganhamos dos seguranças um bilhete para entrar como clientes VIP em outra casa do mesmo proprietário. Agora estávamos mais animados com nossa audácia, por isso fomos.
A outra casa era maior e mais povoada. Várias garotas andavam pelo lugar, semi-nuas e outras dançavam em um palco com uma barra igual à da casa anterior. Muitas delas eram lindas e jovens, outras não. Novamente nos sentamos, tomando cerveja. Duas garotas se aproximaram.
- Vamos fazer amor? - disse sensualmente uma delas. Meu amigo se engasgou.
- Não, mas pode se sentar - eu disse. Ela se sentou bem junto a mim, a mão alisando minha perna perigosamente. Me controlei com três profundas respirações.
Me apresentei como jornalista novamente, e fiz as mesmas perguntas. Ela também pareceu mais tranquila e deixou de lado aquele ar "profissional", ficando bem mais à vontade. Percebi que, desta vez, meu amigo estava tranquilo. Conseguia conversar normalmente, assim como eu.
Quando falei sobre família e namorado, a garota tomou uma atitude diferente.
- Minha família nem imagina, é claro - ela disse, bebericando uma Coca Cola - Mas meu namorado sabe. Ele encara numa boa.
- Como assim? Ele vê apenas como trabalho?
- Você vê isso como trabalho? - ela me questionou. Sem esperar minha resposta, continuou - Isso não é trabalho. Trabalho é no McDonalds, ou o que você faz. Isso é uma forma de ganhar dinheiro, me fazendo de objeto. Eu dou, e eles pagam. Os clientes não querem saber se eu tenho que pagar aluguel, se eu vou chegar atrasada, se eu vou ficar fazendo hora extra. Não é trabalho.
- Como você vê isso então?
- Dinheiro fácil e rápido. Sujo, mas fácil e rápido. Sou bonita, sou gostosa, e eles procuram exatamente por isso. Tenho que pagar minha faculdade, meu aluguel, estudar para as provas e fazer os trabalhos que os professores pedem. Se eu trabalhasse em um emprego como qualquer outro, não teria tempo pra tudo. Além disso, ajudo minha mãe. Ela acha que estou em um call center qualquer, coitada. Mas eu não me arrependo não.
- E seu namorado não tem ciúmes?
- Mais ou menos. Ele sabe o que eu faço, mas não preciso entrar em detalhes. Ele chega, fala como foi o dia dele e eu falo como foi o meu. Digo apenas: "foi bom, tive tantos clientes" ou "foi ruim, muito parado". O que importa é a grana.
Refleti sobre aquilo, achando dificílimo de aceitar.
- E você conversa com suas amigas aqui? - perguntei, resolvendo mudar o rumo da conversa.
- Só tenho uma amiga aqui, a grunge.
Sorri com a menção da palavra, entendendo que aquelas garotas eram garotas como qualquer outra, com preferências e estilos definidos por suas personalidades.
- Ah, ela é grunge?
- Sim, ela tocava contra-baixo em uma banda.
A garota que conversava com meu amigo se virou, me cumprimentando. Meu amigo também é baixista, o que rendeu uma conversa entre os dois. A garota com quem eu conversava continuou:
- A gente conversa às vezes, quando acontece alguma coisa engraçada. Teve uma vez que o cara chegou aqui, todo fortão, pagando uma de gostosão. Sempre que entra um cara bombadinho aqui a gente já ri. Geralmente eles têm o pau pequeno, mas se acham.
Eu ri com a revelação. Ela continuou.
- Daí esse cara já veio direto em mim. "Quero ir com duas", ele disse. Chamei minha amiga e subimos para o quarto. O cara não me decepcionou. Realmente tinha o peru minúsculo. Como o tempo máximo do nosso programa é de trinta minutos, resolvi sacanear. Disse a ele que só transaria de pé, pois só assim gozava. Ele, se achando o rei da pica, aceitou. Fiquei em pé, de costas pra ele, e ele colocou o pau no meio das minhas pernas. Não houve penetração, ele apenas gozou nas minhas coxas, que eu mantive apertadas. E ainda veio me perguntar: "Gozou quantas vezes, gata?" Eu ri demais. Ele nem aguentou ir com minha amiga. Trouxa...
Me senti um pouco desconfortável ao ver uma garota como aquela, uma garota que eu facilmente me envolveria em circunstâncias diferentes, se não soubesse o que ela fazia, falando daquele jeito. Mas a história lhe era engraçada, por isso resolvi sorrir para não perder a "entrevista". Ela continuou, consultando a amiga de vez em quando, buscando aprovação:
- É, mas quando vem um do pau grosso aqui a gente passa mal, não é? Teve uma vez que eu fui embora que nem conseguia andar! Eu sentei no cara e minhas costas estalaram, meu quadril abriu, parecia que eu estava parindo!
Eu tive que pôr a mão na frente da boca para não espirrar cerveja para todos os lados, devido à crise de risos que me acometeu.
- Pois é, aqui é assim. Eu transo, transo, transo a noite inteira, daí chego em casa e faço amor com meu namorado. Lá eu me entrego de verdade, e ele nem é tão bom de cama assim. Mas com ele é amor. Aqui é só sexo, sem nenhum envolvimento ou diversão de minha parte. tem vezes que entra um cara aqui, e eu acho ele legal, faço amizade. Quando isso acontece, eu nem subo com ele, mesmo que ele queira. Por que aí sim eu estaria traindo meu namorado. Haveria envolvimento.
- E se alguém que conhece o seu namorado entrar aqui? - eu perguntei.
- Já aconteceu. Dois amigos dele entraram aqui, me viram, ficaram chocados, mas ainda assim queriam que eu fizesse o programa com eles. Eu neguei, é claro. Quando cheguei em casa contei tudo para o meu namorado. Dias depois, os dois "amigos" foram falar com ele. Contaram que haviam me visto numa casa de prostituição. Ele disse "eu sei, ela me contou". Os dois ficaram loucos. Meu namorado, com toda a classe que possui, disse: "E vocês, da próxima vez, saiam com ela. Ela vai cobrar bem caro, e depois nós dois vamos torrar o dinheiro que idiotas como vocês pagam pra ter o que eu tenho de graça."
Me despedi da garota e meu amigo e eu saímos dali com uma lição em mente. As pessoas são como são, não importa o que façam. Gostei muito de conversar com aquelas meninas, por mais que uma pena me acometa, em pensar que garotas tão lindas e inteligentes trabalham com aquilo. Me deu um certo medo, pois como eu já disse, se as visse na rua, jamais imaginaria que eram prostitutas. A sensação que tive é que toda aquela tranquilidade que elas passavam era falsa, assim como a sensualidade ensaiada para ganhar dinheiro. Para mim, são garotas tristes, que se viciaram na maneira mais fácil que encontraram de ganhar dinheiro, ainda que muitas delas nem precisassem tanto de dinheiro, pois vinham de famílias abastadas.
No fim, tudo o que descobri é que a gente nunca sabe quem são as pessoas de verdade. Antes eu tinha uma visão sobre as prostitutas, e agora eu tenho outra. Todos os estereótipos foram deixados de lado, inclusive os de "boa menina". Espero que a prostituição diminua, que as garotas encontrem jeitos diferentes de ganhar dinheiro, que os homens encontrem jeitos mais honestos de satisfazerem suas vontades sexuais.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O CPC da UNE e suas visões sobre cultura popular


As idéias de novas concepções de cultura popular, dissociando-a de seu significado tradicional, além das idéias revolucionárias do CPC da UNE, além de suas formas de desalienação, analisadas por Renato Ortiz, são discutidas através de uma visão de cultura diferenciada, em uma dialética que mostra não só o lado bom, mas também os erros do Centro Popular de Cultura, apontados pelo autor.

(Por Guilherme Peace)




A Abstração da Desalienação Cultural versus as Formas de Cultura Popular como Consciência à Alienação


Estudar as culturas brasileiras requer um acervo de idéias e de pesquisas que vão remeter às mais remotas fontes históricas do nosso país. Estas fontes nos mostrarão momentos ímpares da história da cultura do Brasil. A carta de Pero Vaz de Caminha, como o início, isso se não relatarmos as culturas indígenas, anteriores à chegada dos portugueses. Antônio Vieira, Gregório Matos, os poetas dos anos 1600 e 1700, Aleijadinho, José Bonifácio, Silvio Romero, Machado de Assis, a semana de 1922, da Arte Moderna, em suas várias fases, entre outros autores e fatos que contribuíram para a formação da história cultural do país.
Entre estes fatos marcantes da cultura, está o CPC da UNE, que tinha por um de seus objetivos, estudar como as pessoas pensavam a cultura do Brasil, além de avaliar, introjetar pensamentos.
Um ponto importante para a análise do CPC, discutida por Renato Ortiz em seu texto “Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE”, é o momento histórico em que foi formado. O CPC existiu entre os anos 1962 e 1964, sendo destituído com a imposição do Golpe Militar. O nacionalismo, tão exposto pelos militares, era também uma bandeira latente no CPC, assim como a educação, mas de formas diferentes. A política em estado de ebulição permitiu que o CPC tivesse uma ênfase toda voltada para a ação revolucionário-reformista. Esta tensão pré-Golpe Militar foi um dos principais pontos para o nascimento do Centro Popular de Cultura.
O CPC da UNE era formado por um grupo de jovens artistas e intelectuais que tinham como idéia a transformação do Brasil através das artes engajadas. Nomes como Guarnieri, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha, e Arnaldo Jabor ilustram entre os integrantes do CPC, entre outros vários participantes importantes deste movimento.
Segundo Renato Ortiz, o CPC desenvolvia uma ideologia de tomada de consciência através das artes, baseada em conceitos de alienação, das teorias de Marx, Lukács e Gramsci. A alienação, em Marx, é a compreensão da alienação do sistema produtivo. Ao não entender o sistema produtivo o trabalhador se contenta com a mais-valia, tornando-se alienado. O objetivo do CPC era acabar com a alienação através da consciência. Efetuar uma transformação social através da cultura.
Para entender o movimento do CPC como mudança nas culturas, é preciso dissociar a idéia de folclore e cultura popular como sendo uma só cultura. “A noção de cultura popular enquanto folclore recupera invariavelmente a idéia de ‘tradição’” (ORTIZ, Renato – ‘Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE’ in Cultura Brasileira e Identidade Nacional). Então, associar cultura popular e folclore empresta à primeira a noção de tradição, definida pela burguesia européia como uma tradição de cultura das classes inferiores, para manter a burguesia em preservação de domínio. Esta é uma concepção conservadora. No Brasil, o folclore é mais levado como tradições das camadas agrárias, o que não deixa de ser um conservadorismo.
Assim, o CPC, neste momento representado por Ferreira Gullar e Carlos Estevam, dissocia o folclore de cultura popular: agora, cultura popular é um fenômeno novo na vida brasileira, é a cultura da transformação. Tendo uma nova concepção, não pode ser tradicional. Desta maneira, as obras da cultura popular não mais se tratam das manifestações artísticas populares tradicionais, mas sim às manifestações artísticas do próprio CPC, de arte como retaliação do sistema. Coloca-se, desta forma, a cultura popular separada das culturas alienadas, para que possa entrar em contraposição, sendo formada por intelectuais organizados com idéias de revolução. Para o CPC, os intelectuais são responsáveis por levar cultura e consciência às massas alienadas. A cultura popular como arma para reivindicação da justiça, melhores condições de vida e de trabalho. A cultura popular seria a cultura da transformação.
Porém, Renato Ortiz critica a forma do CPC tratar a cultura popular. Ele explica que, para o CPC, a arte como arte apenas, sem cunhos de manifestação de transformação, não é válida. O CPC desvaloriza e desqualifica as outras artes, que não as suas.
Quanto à ideologia, Renato Ortiz afirma que para o CPC, “a análise da realidade social se articula fundamentalmente através da categoria da alienação”. Isso gera os conceitos de “cultura alienada e desalinada”, além da teoria de Lukács, presente no conceito de “falsa consciência”. No CPC, a “falsa consciência” se transforma em “falsa cultura”, ou “cultura alienada”. Assim, para afirmar a cultura popular como ação do CPC, nega-se a manifestação popular. “Considerando o popular como ‘falsa cultura’, ele se encontra fatalmente encerrado nas malhas da esfera da alienação” (ORTIZ, Renato – ‘Da cultura desalienada à cultura popular – o CPC da UNE, in ‘Cultura Brasileira e Identidade Nacional, pág. 75).
Além deste, outro aspecto importante é o nacionalismo, presente na ideologia do CPC da UNE. É um aspecto comum à época. Para Ferreira Gullar, a cultura popular é de caráter nacionalista, pois popular e nacional são faces da mesma moeda. Esta idéia está presente em peças e músicas da época, que mostravam uma oposição do nacional ao estrangeiro. Assim, também, surge o cinema novo, reivindicando uma indústria cinematográfica nacional.
Este aspecto chega a trazer alguma contradição, em minha opinião. Ora, deve-se então extrair o conceito de “falsa cultura” do folclore e das manifestações culturais populares, para atribuir-lhes um conceito de, como cita Ortiz, “veracidade” nacional. Em uma das frases de Ortiz, na página 76: “o rock simbolizaria assim uma etapa do processo de alienação cultural, enquanto a música folclórica reafirmaria a identidade perdida no ser do outro”.
Por este motivo, a crítica de Renato Ortiz, quanto ao erro do CPC, é que quando o CPC considera as manifestações populares como alienação, ele mesmo se torna alienado a este conceito. Para o CPC, as “falsas euforias”, como o futebol e o carnaval, por exemplo, servem para distrair e alienar o povo. As sensações do corpo dominam as percepções da mente. Radicalizam o conceito de cultura. Só a arte contestadora é válida, desvalorizando as outras formas de arte. Esse é o grande erro do CPC.
Voltando aos conceitos ideológicos, Ortiz mostra como, na teoria de Gramsci, seguido pelo CPC, “a alienação do popular e do nacional, (...) se apresenta sob o ponto de vista da hegemonia.” Assim, volta-se ao problema das relações de força, referentes à indústria cultural. Os administradores culturais, a indústria cultural, seriam as forma de dominação social por meio de cultura, com meios como a TV Globo, a Embrafilme e a Funarte. É como se a infra-estrutura fosse entregada ao capital estrangeiro, mas a superestrutura ainda fosse nacional. A nacionalidade das formas culturais homogeneizadas seria então imaginária, já que as formas de dominação das culturas baseiam-se nas políticas de dominação e alienação. Somos educados culturalmente para sermos subservientes diante de um sistema desigual.
E é aí que se encontra a importância, o lado positivo do CPC da UNE. Intelectuais e artistas que se unem e vão à luta, com a arte e a cultura a serviço da consciência. Além de garantir seu lugar, mais que de direito, na história cultural do Brasil.

Considerações finais

Seria de ínfima maneira explicitar um movimento como o CPC apenas com base na leitura do texto de Renato Ortiz, se bem que este se mostra importante na desmistificação do Centro Popular de Cultura como um messias nas formas de ver as culturas populares em novas concepções. Assim, me vi obrigado a efetuar maiores pesquisas, tentando entender este movimento dos anos 1960 em seu âmago. Acredito ter analisado com sinceridade e imparcialidade a obra de Ortiz, verificando sua importância em mostrar a importância do CPC, mas também sua face de erro, como a radicalização já tão citada. Renato Ortiz consegue exprimir em seu texto o porquê de o CPC ter entrado para a história cultural do Brasil, como forma de movimento anti-alienação, em divulgação de idéias marxistas por meio da arte. Todos os tratamentos de Renato Ortiz para com o CPC da UNE são justos, sejam eles elogiosos, ou não. Portanto, entende-se o movimento das artes nos anos que precederam o Golpe Militar de 1964 como já contestadores, por meio da escrita de Renato Ortiz, em “Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE.”


Bibliografia:

- ORTIZ, Renato – “Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE” in “Cultura Brasileira e Identidade Nacional” (Editora Brasiliense, 1998)

- RIOS, Dermival Ribeiro – “Novo Dicionário da Língua Portuguesa” (DCL, 2004)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Morte do Amor e Suas Consequências - Capítulo 1

1. A Morte do Sentimento

1.1 O Mal deste século

Acusar Deus e o destino por todas as máximas sofridas no dia a dia é de praxe social irrevogável. Não se tem mais a espectativa incoerente de esperar pelo romance sincero como que surgido em "amores à primeira vista". O sentimento tem sido assassinado latentemente por décadas a fio, desde (sem querer trazer um debate de machismo e feminismo à tona) a Revolução Feminista, por exemplo.
Não é justo acusar determinado movimento por tamanha desordem emocional, seja ele revolucionariamente feminista ou religioso. Separar em fatores da sociedade, como a ascensão do capitalismo, as lutas por liberdade, mudanças na economia, trabalhismo, exploração, correria cotidiana e a velocidade de informação, seria como atribuir conceitos quase ilógicos às razões de sentimento.
O mal do século XIX foi a tuberculose, que matou centenas de milhares de pessoas, grande parte de artistas românticos e boêmios. Por certo tempo, principalmente nos anos 1980 do século XX, poderia-se dizer que o novo mal seria o HIV, doença incurável com índices altíssimos de óbito. Talvez até o câncer entrasse nesta "disputa", mas discordo em ambos os casos. Acredito que o mal do século XX e XXI é a depressão, causada por todos os fatores supracitados da nova sociedade.
A depressão aqui citada não é apenas a tristeza ou estado depressivo simples. O transtorno depressivo nervoso é uma doença, com tratamento médico especializado, caracterizada por sentimentos como tristeza profunda, falta de interesse, falta de prazer, entre outros. É um problema neurológico que pode ser causado por diversos fatores, como brigas, desilusões, estresse, entre outros. Aproximadamente 20% da população mundial tem ou já teve depressão, sendo as causas psico-sociais (o caso mais comum é o de desilusão amorosa), biológicas (disfunções hormonais, por exemplo) e traumas físicos fortemente estressantes, como acidentes, por exemplo.
Sabendo que o suicídio é como o estágio terminal depressivo, é necessário entender a depressão como o mal da atualidade, para basear a minha teoria.


1.2 Depressão e conseqüências depressivas - Decidindo matar os sentimentos

A maioria dos casos que confirmam a presente teoria de morte do sentimento aconteceram após depressões psico-sociais. As desilusões amorosas podem ser consideradas o principal agravante para que o amor se tornasse desvalorizado. É claro que é preciso associar fatores midiáticos, que serão citados mais à frente. Por enquanto, atemo-nos à depressão.
Sempre após um relacionamento difícil, os jovens principalmente, sentem que há um esfriamento sentimental. Isso após um período depressivo difícil, porém nem sempre profundo. A conseqüência do estado depressivo é sempre uma quase lascívia extravagância, divergindo, por vezes, de valores básicos adquiridos por toda a criação familiar. Porém, a própria família se desprende, em situações depressivas, principalmente se estas ocorrem no primeiro período da adolescência. Mas este é outro assunto a ser tratado posteriormente.
O importante é levantar o debate em torno da questão crucial em que a depressão e o estado pós depressivo são indicados como causa para a morte do sentimento.







(Guilherme Peace - continua)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Morre Micheal Jackson. Tudo mudando...


Ontem, dia 25 de Junho de 2009, morreu Michael Jackson, devido a complicações causadas por um ataque cardíaco que o cantor sofreu pela manhã.

O cantor, que completaria 51 anos em Agosto deste ano, deixa três filhos e uma legião de fãs, formada em pelo menos três gerações. Ingressos vendidos para sua turnê com mais de cinquenta shows em Londres estão sendo reembolsados. A família ainda não divulgou nenhuma informação sobre o velório, e autoridades investigam a possibilidade do ataque cardíaco ter sido causado por uso de drogas ou remédios controlados.


É em uma hora como esta que me sinto envelhecido. Ora, qualquer um nascido nos anos 1980, que teve a maior parte de sua infância vivida na primeira metade dos anos 1990, sabe do que estou falando. Os ícones de nossa época estão caindo, um a um. As coisas estão mudando, e a "geração 2000" não entenderia o que isso significa para nós.

Minhas manhãs eram preenchidas pela Vovó Mafalda, a velhinha simpática com um sapato na cabeça, que demorei anos para descobrir que era, na verdade, um homem. Quando morreu, parte do brilho da minha infância foi junto. Mara Maravilha, com seu programa também matinal, sempre me encantou. Hoje é evangélica, e não se tem notícias suas a muito tempo. Vera Verão (Jorge Lafond), me fazia rir muito n'A Praça é Nossa.

Programas saíram do ar, como a TV Colosso, Castelo Ratimbum, desenhos como "Caverna do Dragão" e "Doug", X-Tudo, Eliana dos Dedinhos passou a ser somente Eliana, Angélica agora apresenta o Vídeo Show, a Xuxa não mudou nada.

Na música, éramos embalados por Alexia ("Uh, la la la, I love You baby..."), os Hanson, com sua MMMBop, Shakira ("Estoy aqui, querendo-te..."), Spice Girls, BackStreet Boys... Ou seja, até a música ruim era melhor. Além disso, crescemos juntos com Sandy e Júnior, e me assusto ao ver os dois separados, a Sandy casada!!!

Dá pra acreditar que tem crianças que nunca viram os Mamonas Assassinas (mesmo que o conteúdo de suas músicas nunca tenha sido tão "didático")?

E acima de tudo isso, sempre presente, desde quando nascemos, estava Michaael Jackson. Sua dancinha (moonwalk), suas músicas, trejeitos, "Thriller", sua visita ao Rio, usando máscara... Tudo sempre tão presente por toda a nossa infância. Apesar de toda a confusão gerada pelas acusações de abuso de crianças, das polêmicas sobre sua mudança de aparência, e todas as críticas pesadas em cima do cantor, não dá pra negar que ele foi, e sempre será o Rei do Pop.

Só espero que o Silvio Santos não morra tão rápido, nem o Marcelo Tas, nem o Didi. A Xuxa pode.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Canção que fiz pra ela

(Guilherme Peace)

Ah, pequena!
Traz a paz que você costuma me dar.
Sorri pra mim
Me deixa pensar que só serei completo com você


Não faz isso, pequena...
Não diz que é pra eu me conformar
Que tudo o que tenho de você, não dá pra ser meu...


Me deixa mostrar que posso?


As vezes tento não falar demais
pra não ter a chance de te cansar
Mas sempre que posso, quero te ouvir


Olha isso, pequena
A flor que trouxe para ti
não é das melhores, mas esconde minha alma


Quero escrever outra canção singela
E cantar pra você dormir



Me deixa mostrar que posso?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Texto antigo, para alguém do passado...



Infelizmente as circunstâncias foram tão mais potentes do que qualquer sentimento. Ou seria felizmente? Agora quero cultivar minha raiva. Raiva não seria a palavra correta, talvez. Acho que decepção se encaixa melhor. Não a piegas decepção amorosa, afinal, nunca existiu amor. Mas a decepção pessoal, comigo e com você.
Me decepciono comigo por achar que posso viver um papel que não foi escrito pra mim. Por negar que sentimentos se contorcem dentro de mim, paranóicamente. "Eu posso ser um paranóico, mas não sou um andróide". Finalmente entendi. Na verdade já havia entendido há tempos. Não vou dizer que tenho saudade. Como já disse (e acredito ter sido uma das coisas mais sábias que eu já disse), eu tenho saudade daquilo que já tive. De você tenho apenas vontade. Tinha.
Infelizmente (para você e talvez para mim) você não adquiriu o dom de fazer o bem. Não em mim. Mas o errado fui eu, em pensar que você possuía este dom. Não me culpe (e nem à maioria das pessoas), é o que você demonstra no começo.
Mas outra vez o ditado "as aparências enganam" se prova verdadeiro. Se me decepcionei, a culpa não é sua. Sua aparência (e isso inclui aquilo que você diz gostar, ouvir e pensar) me fez acreditar que você era uma pessoa especial.
Mas errei (outra vez) por tentar entregar a você algo que nunca te pertenceu, e que talvez nunca venha a pertencer. Acredito que você também se enganou. Mas não por pensar que eu era uma pessoa enquanto eu era outra. Essa decepção foi minha.
Você se enganou por pensar que eu era o tipo de pessoa que você estava precisando, mas viu que não precisa de alguém como eu. Eu sempre fui o que fui e pronto. Você é quem não se agradou com isso. E eu me desagradei ao te descobrir. Fui imbecil ao pensar que poderia ser um "momento", ou que eu poderia te "mudar" de alguma forma. Não temos o poder de mudar as pessoas. Temos o poder de causar mudanças. Eu, infelizmente (novamente mais para você do que para mim) não consegui causar mudanças em você.
Você diz ter tentado, mas tentou o quê? O quê você tentou? Você demonstrou ter a frágil mania de viver do passado, que te parece tão dolorido. A mania de querer acreditar-se acima de alguns sentimentos e conceitos sociais (afinal, o que é sociedade?), como se a superioridade dos teus pensamentos e artes lhe provesse algum poder de mudar pessoas. Você não muda. Você causa mudanças. Não causou nenhuma em mim, por mais que você possa pensar que "flechou mais um". Como disse, me encantei pela aparência. Aquilo que você parece (ia). Suas frases de impacto prontas para serem proliferadas só me causaram transtornos momentâneos. Não mudanças.
Percebi que, ao pensar em você, não sentia saudade. Só vontade. E quando não temos o objeto do nosso desejo, ficamos frustrados. Daí o sentimento de frustração. As tuas conversas de como você "mudou seu namorado tal", ou de como "fez tão namorado agir de certo jeito" apenas me causaram enjôo.
Isso sem falar nos papos de como você é difícil e blábláblá.
São coisas que não precisam ser ditas. Se percebe. E eu percebi que aquilo que você procura, seja o que fôr, não está em mim, mas não por uma incapacidade minha. Mas por uma impotência tua. Impotência no sentido de não poder. E de ter medo.
Você diz ter encontrado em mim uma pessoa especial, mas a minha "especialidade" não era o que você procurava. Não a culpo. Mas também não vou mais me culpar. Até hoje, encontrei apenas uma pessoa que foi merecedora daquilo que eu tenho de melhor, mas fui idiota e neguei as dificuldades, procurando algo mais "fácil". Mas o fácil nunca é bom. Por isso persisti tanto tempo com você. Bati repetidamente a mesma tecla. Por que tenho o dom de acreditar no melhor das pessoas. Infelizmente o seu melhor não se mostrou presente neste tempo. Ou talvez eu não tenha sido merecedor deste melhor. Mas novamente não por impotência minha. Pelo modo que você fala, nenhuma pessoa conheceu este seu lado.
Mas eu acredito que você tenha este "melhor" em algum lugar. Não tive o poder de despertá-lo, mas sei que ele existe.
Para finalizar, vou te dar alguns conselhos. Não que você deva aceitá-los e muito menos segui-los. Mas preciso dizer tudo o que tenho a dizer. Perca este medo de se envolver. Não se esconda atrás desta máscara e escudo de "menina super poderosa" que você não é. Pare de usar seu passado como defesa para qualquer controvérsia. Não brinque com as pessoas. Não minta. Não seja tão controversa. Pare de se defender dizendo que você é complicada (todos somos, e é muito entediante ser obrigado a aturar um falatório sobre como você é difícil e tem problemas). Deixe que as pessoas tenham a oportunidade de te descobrir. Seja mais sincera. Aja com o coração de vez em quando. Pense nos sentimentos das pessoas. Respeite as pessoas que demonstram respeito por você. Se não quer ser desprezada como foi hoje pelo seu ex, não despreze e nem trate ninguém com indiferença.
Não queira impor o que você acha certo. Respeite opiniões. Se esforce para fazer o bem, e não faça o mal simplesmente por fazer. Existem milhares de formas de fazer o bem e o mal, e na maioria das vezes fazemos o mal sem perceber. Se policie. Tenha intensidade. Se abra para novas sensações. Não compare ninguém com ninguèm. Todas as relações são diferentes. Não fale de seus ex para o seu próximo "caso". Tenha compromissos. Objetivos. E se não tem nenhum, aceite a mão das pessoas que demonstram se importar de verdade. Deixe de gostar de estar mal.
Pare de deixar o verão pra mais tarde. É melhor vivê-lo agora, por que assim ele passa mais rápido. Enfrente seus problemas.Não espero que te agrade tudo o que escrevi.
Já disse tudo o que tinha para dizer. Sobre a nossa possível amizade, só tenho amigos que me fazem bem. Por enquanto você não sabe fazer isso, então é apenas uma ex "ficante". Sobre esta relação, só acredito que eu fui "Los Hermanos" e você "Teatro Mágico".
Boa sorte.
Beijos.
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- Guilherme Peace, em algum lugar do passado.