quarta-feira, 22 de julho de 2009

O CPC da UNE e suas visões sobre cultura popular


As idéias de novas concepções de cultura popular, dissociando-a de seu significado tradicional, além das idéias revolucionárias do CPC da UNE, além de suas formas de desalienação, analisadas por Renato Ortiz, são discutidas através de uma visão de cultura diferenciada, em uma dialética que mostra não só o lado bom, mas também os erros do Centro Popular de Cultura, apontados pelo autor.

(Por Guilherme Peace)




A Abstração da Desalienação Cultural versus as Formas de Cultura Popular como Consciência à Alienação


Estudar as culturas brasileiras requer um acervo de idéias e de pesquisas que vão remeter às mais remotas fontes históricas do nosso país. Estas fontes nos mostrarão momentos ímpares da história da cultura do Brasil. A carta de Pero Vaz de Caminha, como o início, isso se não relatarmos as culturas indígenas, anteriores à chegada dos portugueses. Antônio Vieira, Gregório Matos, os poetas dos anos 1600 e 1700, Aleijadinho, José Bonifácio, Silvio Romero, Machado de Assis, a semana de 1922, da Arte Moderna, em suas várias fases, entre outros autores e fatos que contribuíram para a formação da história cultural do país.
Entre estes fatos marcantes da cultura, está o CPC da UNE, que tinha por um de seus objetivos, estudar como as pessoas pensavam a cultura do Brasil, além de avaliar, introjetar pensamentos.
Um ponto importante para a análise do CPC, discutida por Renato Ortiz em seu texto “Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE”, é o momento histórico em que foi formado. O CPC existiu entre os anos 1962 e 1964, sendo destituído com a imposição do Golpe Militar. O nacionalismo, tão exposto pelos militares, era também uma bandeira latente no CPC, assim como a educação, mas de formas diferentes. A política em estado de ebulição permitiu que o CPC tivesse uma ênfase toda voltada para a ação revolucionário-reformista. Esta tensão pré-Golpe Militar foi um dos principais pontos para o nascimento do Centro Popular de Cultura.
O CPC da UNE era formado por um grupo de jovens artistas e intelectuais que tinham como idéia a transformação do Brasil através das artes engajadas. Nomes como Guarnieri, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha, e Arnaldo Jabor ilustram entre os integrantes do CPC, entre outros vários participantes importantes deste movimento.
Segundo Renato Ortiz, o CPC desenvolvia uma ideologia de tomada de consciência através das artes, baseada em conceitos de alienação, das teorias de Marx, Lukács e Gramsci. A alienação, em Marx, é a compreensão da alienação do sistema produtivo. Ao não entender o sistema produtivo o trabalhador se contenta com a mais-valia, tornando-se alienado. O objetivo do CPC era acabar com a alienação através da consciência. Efetuar uma transformação social através da cultura.
Para entender o movimento do CPC como mudança nas culturas, é preciso dissociar a idéia de folclore e cultura popular como sendo uma só cultura. “A noção de cultura popular enquanto folclore recupera invariavelmente a idéia de ‘tradição’” (ORTIZ, Renato – ‘Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE’ in Cultura Brasileira e Identidade Nacional). Então, associar cultura popular e folclore empresta à primeira a noção de tradição, definida pela burguesia européia como uma tradição de cultura das classes inferiores, para manter a burguesia em preservação de domínio. Esta é uma concepção conservadora. No Brasil, o folclore é mais levado como tradições das camadas agrárias, o que não deixa de ser um conservadorismo.
Assim, o CPC, neste momento representado por Ferreira Gullar e Carlos Estevam, dissocia o folclore de cultura popular: agora, cultura popular é um fenômeno novo na vida brasileira, é a cultura da transformação. Tendo uma nova concepção, não pode ser tradicional. Desta maneira, as obras da cultura popular não mais se tratam das manifestações artísticas populares tradicionais, mas sim às manifestações artísticas do próprio CPC, de arte como retaliação do sistema. Coloca-se, desta forma, a cultura popular separada das culturas alienadas, para que possa entrar em contraposição, sendo formada por intelectuais organizados com idéias de revolução. Para o CPC, os intelectuais são responsáveis por levar cultura e consciência às massas alienadas. A cultura popular como arma para reivindicação da justiça, melhores condições de vida e de trabalho. A cultura popular seria a cultura da transformação.
Porém, Renato Ortiz critica a forma do CPC tratar a cultura popular. Ele explica que, para o CPC, a arte como arte apenas, sem cunhos de manifestação de transformação, não é válida. O CPC desvaloriza e desqualifica as outras artes, que não as suas.
Quanto à ideologia, Renato Ortiz afirma que para o CPC, “a análise da realidade social se articula fundamentalmente através da categoria da alienação”. Isso gera os conceitos de “cultura alienada e desalinada”, além da teoria de Lukács, presente no conceito de “falsa consciência”. No CPC, a “falsa consciência” se transforma em “falsa cultura”, ou “cultura alienada”. Assim, para afirmar a cultura popular como ação do CPC, nega-se a manifestação popular. “Considerando o popular como ‘falsa cultura’, ele se encontra fatalmente encerrado nas malhas da esfera da alienação” (ORTIZ, Renato – ‘Da cultura desalienada à cultura popular – o CPC da UNE, in ‘Cultura Brasileira e Identidade Nacional, pág. 75).
Além deste, outro aspecto importante é o nacionalismo, presente na ideologia do CPC da UNE. É um aspecto comum à época. Para Ferreira Gullar, a cultura popular é de caráter nacionalista, pois popular e nacional são faces da mesma moeda. Esta idéia está presente em peças e músicas da época, que mostravam uma oposição do nacional ao estrangeiro. Assim, também, surge o cinema novo, reivindicando uma indústria cinematográfica nacional.
Este aspecto chega a trazer alguma contradição, em minha opinião. Ora, deve-se então extrair o conceito de “falsa cultura” do folclore e das manifestações culturais populares, para atribuir-lhes um conceito de, como cita Ortiz, “veracidade” nacional. Em uma das frases de Ortiz, na página 76: “o rock simbolizaria assim uma etapa do processo de alienação cultural, enquanto a música folclórica reafirmaria a identidade perdida no ser do outro”.
Por este motivo, a crítica de Renato Ortiz, quanto ao erro do CPC, é que quando o CPC considera as manifestações populares como alienação, ele mesmo se torna alienado a este conceito. Para o CPC, as “falsas euforias”, como o futebol e o carnaval, por exemplo, servem para distrair e alienar o povo. As sensações do corpo dominam as percepções da mente. Radicalizam o conceito de cultura. Só a arte contestadora é válida, desvalorizando as outras formas de arte. Esse é o grande erro do CPC.
Voltando aos conceitos ideológicos, Ortiz mostra como, na teoria de Gramsci, seguido pelo CPC, “a alienação do popular e do nacional, (...) se apresenta sob o ponto de vista da hegemonia.” Assim, volta-se ao problema das relações de força, referentes à indústria cultural. Os administradores culturais, a indústria cultural, seriam as forma de dominação social por meio de cultura, com meios como a TV Globo, a Embrafilme e a Funarte. É como se a infra-estrutura fosse entregada ao capital estrangeiro, mas a superestrutura ainda fosse nacional. A nacionalidade das formas culturais homogeneizadas seria então imaginária, já que as formas de dominação das culturas baseiam-se nas políticas de dominação e alienação. Somos educados culturalmente para sermos subservientes diante de um sistema desigual.
E é aí que se encontra a importância, o lado positivo do CPC da UNE. Intelectuais e artistas que se unem e vão à luta, com a arte e a cultura a serviço da consciência. Além de garantir seu lugar, mais que de direito, na história cultural do Brasil.

Considerações finais

Seria de ínfima maneira explicitar um movimento como o CPC apenas com base na leitura do texto de Renato Ortiz, se bem que este se mostra importante na desmistificação do Centro Popular de Cultura como um messias nas formas de ver as culturas populares em novas concepções. Assim, me vi obrigado a efetuar maiores pesquisas, tentando entender este movimento dos anos 1960 em seu âmago. Acredito ter analisado com sinceridade e imparcialidade a obra de Ortiz, verificando sua importância em mostrar a importância do CPC, mas também sua face de erro, como a radicalização já tão citada. Renato Ortiz consegue exprimir em seu texto o porquê de o CPC ter entrado para a história cultural do Brasil, como forma de movimento anti-alienação, em divulgação de idéias marxistas por meio da arte. Todos os tratamentos de Renato Ortiz para com o CPC da UNE são justos, sejam eles elogiosos, ou não. Portanto, entende-se o movimento das artes nos anos que precederam o Golpe Militar de 1964 como já contestadores, por meio da escrita de Renato Ortiz, em “Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE.”


Bibliografia:

- ORTIZ, Renato – “Da cultura desalienada à cultura popular: o CPC da UNE” in “Cultura Brasileira e Identidade Nacional” (Editora Brasiliense, 1998)

- RIOS, Dermival Ribeiro – “Novo Dicionário da Língua Portuguesa” (DCL, 2004)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Morte do Amor e Suas Consequências - Capítulo 1

1. A Morte do Sentimento

1.1 O Mal deste século

Acusar Deus e o destino por todas as máximas sofridas no dia a dia é de praxe social irrevogável. Não se tem mais a espectativa incoerente de esperar pelo romance sincero como que surgido em "amores à primeira vista". O sentimento tem sido assassinado latentemente por décadas a fio, desde (sem querer trazer um debate de machismo e feminismo à tona) a Revolução Feminista, por exemplo.
Não é justo acusar determinado movimento por tamanha desordem emocional, seja ele revolucionariamente feminista ou religioso. Separar em fatores da sociedade, como a ascensão do capitalismo, as lutas por liberdade, mudanças na economia, trabalhismo, exploração, correria cotidiana e a velocidade de informação, seria como atribuir conceitos quase ilógicos às razões de sentimento.
O mal do século XIX foi a tuberculose, que matou centenas de milhares de pessoas, grande parte de artistas românticos e boêmios. Por certo tempo, principalmente nos anos 1980 do século XX, poderia-se dizer que o novo mal seria o HIV, doença incurável com índices altíssimos de óbito. Talvez até o câncer entrasse nesta "disputa", mas discordo em ambos os casos. Acredito que o mal do século XX e XXI é a depressão, causada por todos os fatores supracitados da nova sociedade.
A depressão aqui citada não é apenas a tristeza ou estado depressivo simples. O transtorno depressivo nervoso é uma doença, com tratamento médico especializado, caracterizada por sentimentos como tristeza profunda, falta de interesse, falta de prazer, entre outros. É um problema neurológico que pode ser causado por diversos fatores, como brigas, desilusões, estresse, entre outros. Aproximadamente 20% da população mundial tem ou já teve depressão, sendo as causas psico-sociais (o caso mais comum é o de desilusão amorosa), biológicas (disfunções hormonais, por exemplo) e traumas físicos fortemente estressantes, como acidentes, por exemplo.
Sabendo que o suicídio é como o estágio terminal depressivo, é necessário entender a depressão como o mal da atualidade, para basear a minha teoria.


1.2 Depressão e conseqüências depressivas - Decidindo matar os sentimentos

A maioria dos casos que confirmam a presente teoria de morte do sentimento aconteceram após depressões psico-sociais. As desilusões amorosas podem ser consideradas o principal agravante para que o amor se tornasse desvalorizado. É claro que é preciso associar fatores midiáticos, que serão citados mais à frente. Por enquanto, atemo-nos à depressão.
Sempre após um relacionamento difícil, os jovens principalmente, sentem que há um esfriamento sentimental. Isso após um período depressivo difícil, porém nem sempre profundo. A conseqüência do estado depressivo é sempre uma quase lascívia extravagância, divergindo, por vezes, de valores básicos adquiridos por toda a criação familiar. Porém, a própria família se desprende, em situações depressivas, principalmente se estas ocorrem no primeiro período da adolescência. Mas este é outro assunto a ser tratado posteriormente.
O importante é levantar o debate em torno da questão crucial em que a depressão e o estado pós depressivo são indicados como causa para a morte do sentimento.







(Guilherme Peace - continua)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Morre Micheal Jackson. Tudo mudando...


Ontem, dia 25 de Junho de 2009, morreu Michael Jackson, devido a complicações causadas por um ataque cardíaco que o cantor sofreu pela manhã.

O cantor, que completaria 51 anos em Agosto deste ano, deixa três filhos e uma legião de fãs, formada em pelo menos três gerações. Ingressos vendidos para sua turnê com mais de cinquenta shows em Londres estão sendo reembolsados. A família ainda não divulgou nenhuma informação sobre o velório, e autoridades investigam a possibilidade do ataque cardíaco ter sido causado por uso de drogas ou remédios controlados.


É em uma hora como esta que me sinto envelhecido. Ora, qualquer um nascido nos anos 1980, que teve a maior parte de sua infância vivida na primeira metade dos anos 1990, sabe do que estou falando. Os ícones de nossa época estão caindo, um a um. As coisas estão mudando, e a "geração 2000" não entenderia o que isso significa para nós.

Minhas manhãs eram preenchidas pela Vovó Mafalda, a velhinha simpática com um sapato na cabeça, que demorei anos para descobrir que era, na verdade, um homem. Quando morreu, parte do brilho da minha infância foi junto. Mara Maravilha, com seu programa também matinal, sempre me encantou. Hoje é evangélica, e não se tem notícias suas a muito tempo. Vera Verão (Jorge Lafond), me fazia rir muito n'A Praça é Nossa.

Programas saíram do ar, como a TV Colosso, Castelo Ratimbum, desenhos como "Caverna do Dragão" e "Doug", X-Tudo, Eliana dos Dedinhos passou a ser somente Eliana, Angélica agora apresenta o Vídeo Show, a Xuxa não mudou nada.

Na música, éramos embalados por Alexia ("Uh, la la la, I love You baby..."), os Hanson, com sua MMMBop, Shakira ("Estoy aqui, querendo-te..."), Spice Girls, BackStreet Boys... Ou seja, até a música ruim era melhor. Além disso, crescemos juntos com Sandy e Júnior, e me assusto ao ver os dois separados, a Sandy casada!!!

Dá pra acreditar que tem crianças que nunca viram os Mamonas Assassinas (mesmo que o conteúdo de suas músicas nunca tenha sido tão "didático")?

E acima de tudo isso, sempre presente, desde quando nascemos, estava Michaael Jackson. Sua dancinha (moonwalk), suas músicas, trejeitos, "Thriller", sua visita ao Rio, usando máscara... Tudo sempre tão presente por toda a nossa infância. Apesar de toda a confusão gerada pelas acusações de abuso de crianças, das polêmicas sobre sua mudança de aparência, e todas as críticas pesadas em cima do cantor, não dá pra negar que ele foi, e sempre será o Rei do Pop.

Só espero que o Silvio Santos não morra tão rápido, nem o Marcelo Tas, nem o Didi. A Xuxa pode.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Canção que fiz pra ela

(Guilherme Peace)

Ah, pequena!
Traz a paz que você costuma me dar.
Sorri pra mim
Me deixa pensar que só serei completo com você


Não faz isso, pequena...
Não diz que é pra eu me conformar
Que tudo o que tenho de você, não dá pra ser meu...


Me deixa mostrar que posso?


As vezes tento não falar demais
pra não ter a chance de te cansar
Mas sempre que posso, quero te ouvir


Olha isso, pequena
A flor que trouxe para ti
não é das melhores, mas esconde minha alma


Quero escrever outra canção singela
E cantar pra você dormir



Me deixa mostrar que posso?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Texto antigo, para alguém do passado...



Infelizmente as circunstâncias foram tão mais potentes do que qualquer sentimento. Ou seria felizmente? Agora quero cultivar minha raiva. Raiva não seria a palavra correta, talvez. Acho que decepção se encaixa melhor. Não a piegas decepção amorosa, afinal, nunca existiu amor. Mas a decepção pessoal, comigo e com você.
Me decepciono comigo por achar que posso viver um papel que não foi escrito pra mim. Por negar que sentimentos se contorcem dentro de mim, paranóicamente. "Eu posso ser um paranóico, mas não sou um andróide". Finalmente entendi. Na verdade já havia entendido há tempos. Não vou dizer que tenho saudade. Como já disse (e acredito ter sido uma das coisas mais sábias que eu já disse), eu tenho saudade daquilo que já tive. De você tenho apenas vontade. Tinha.
Infelizmente (para você e talvez para mim) você não adquiriu o dom de fazer o bem. Não em mim. Mas o errado fui eu, em pensar que você possuía este dom. Não me culpe (e nem à maioria das pessoas), é o que você demonstra no começo.
Mas outra vez o ditado "as aparências enganam" se prova verdadeiro. Se me decepcionei, a culpa não é sua. Sua aparência (e isso inclui aquilo que você diz gostar, ouvir e pensar) me fez acreditar que você era uma pessoa especial.
Mas errei (outra vez) por tentar entregar a você algo que nunca te pertenceu, e que talvez nunca venha a pertencer. Acredito que você também se enganou. Mas não por pensar que eu era uma pessoa enquanto eu era outra. Essa decepção foi minha.
Você se enganou por pensar que eu era o tipo de pessoa que você estava precisando, mas viu que não precisa de alguém como eu. Eu sempre fui o que fui e pronto. Você é quem não se agradou com isso. E eu me desagradei ao te descobrir. Fui imbecil ao pensar que poderia ser um "momento", ou que eu poderia te "mudar" de alguma forma. Não temos o poder de mudar as pessoas. Temos o poder de causar mudanças. Eu, infelizmente (novamente mais para você do que para mim) não consegui causar mudanças em você.
Você diz ter tentado, mas tentou o quê? O quê você tentou? Você demonstrou ter a frágil mania de viver do passado, que te parece tão dolorido. A mania de querer acreditar-se acima de alguns sentimentos e conceitos sociais (afinal, o que é sociedade?), como se a superioridade dos teus pensamentos e artes lhe provesse algum poder de mudar pessoas. Você não muda. Você causa mudanças. Não causou nenhuma em mim, por mais que você possa pensar que "flechou mais um". Como disse, me encantei pela aparência. Aquilo que você parece (ia). Suas frases de impacto prontas para serem proliferadas só me causaram transtornos momentâneos. Não mudanças.
Percebi que, ao pensar em você, não sentia saudade. Só vontade. E quando não temos o objeto do nosso desejo, ficamos frustrados. Daí o sentimento de frustração. As tuas conversas de como você "mudou seu namorado tal", ou de como "fez tão namorado agir de certo jeito" apenas me causaram enjôo.
Isso sem falar nos papos de como você é difícil e blábláblá.
São coisas que não precisam ser ditas. Se percebe. E eu percebi que aquilo que você procura, seja o que fôr, não está em mim, mas não por uma incapacidade minha. Mas por uma impotência tua. Impotência no sentido de não poder. E de ter medo.
Você diz ter encontrado em mim uma pessoa especial, mas a minha "especialidade" não era o que você procurava. Não a culpo. Mas também não vou mais me culpar. Até hoje, encontrei apenas uma pessoa que foi merecedora daquilo que eu tenho de melhor, mas fui idiota e neguei as dificuldades, procurando algo mais "fácil". Mas o fácil nunca é bom. Por isso persisti tanto tempo com você. Bati repetidamente a mesma tecla. Por que tenho o dom de acreditar no melhor das pessoas. Infelizmente o seu melhor não se mostrou presente neste tempo. Ou talvez eu não tenha sido merecedor deste melhor. Mas novamente não por impotência minha. Pelo modo que você fala, nenhuma pessoa conheceu este seu lado.
Mas eu acredito que você tenha este "melhor" em algum lugar. Não tive o poder de despertá-lo, mas sei que ele existe.
Para finalizar, vou te dar alguns conselhos. Não que você deva aceitá-los e muito menos segui-los. Mas preciso dizer tudo o que tenho a dizer. Perca este medo de se envolver. Não se esconda atrás desta máscara e escudo de "menina super poderosa" que você não é. Pare de usar seu passado como defesa para qualquer controvérsia. Não brinque com as pessoas. Não minta. Não seja tão controversa. Pare de se defender dizendo que você é complicada (todos somos, e é muito entediante ser obrigado a aturar um falatório sobre como você é difícil e tem problemas). Deixe que as pessoas tenham a oportunidade de te descobrir. Seja mais sincera. Aja com o coração de vez em quando. Pense nos sentimentos das pessoas. Respeite as pessoas que demonstram respeito por você. Se não quer ser desprezada como foi hoje pelo seu ex, não despreze e nem trate ninguém com indiferença.
Não queira impor o que você acha certo. Respeite opiniões. Se esforce para fazer o bem, e não faça o mal simplesmente por fazer. Existem milhares de formas de fazer o bem e o mal, e na maioria das vezes fazemos o mal sem perceber. Se policie. Tenha intensidade. Se abra para novas sensações. Não compare ninguém com ninguèm. Todas as relações são diferentes. Não fale de seus ex para o seu próximo "caso". Tenha compromissos. Objetivos. E se não tem nenhum, aceite a mão das pessoas que demonstram se importar de verdade. Deixe de gostar de estar mal.
Pare de deixar o verão pra mais tarde. É melhor vivê-lo agora, por que assim ele passa mais rápido. Enfrente seus problemas.Não espero que te agrade tudo o que escrevi.
Já disse tudo o que tinha para dizer. Sobre a nossa possível amizade, só tenho amigos que me fazem bem. Por enquanto você não sabe fazer isso, então é apenas uma ex "ficante". Sobre esta relação, só acredito que eu fui "Los Hermanos" e você "Teatro Mágico".
Boa sorte.
Beijos.
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- Guilherme Peace, em algum lugar do passado.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Noite na Sé


A rua ainda escura, exceto pelos raios de luz lançados fracamente pelos postes, refletidos na humidade do asfalto, criando uma aura quase sobrenatural. O cheiro azedo de lixo, do esgoto, do podre por baixo dos papelões molhados. As paredes descascadas, inclinadas, quase chocando-se. Latas, plásticos, botas e mais sacolas. Lixo. Podridão.

Encolhendo-se, pela opressão do cenário, ela caminhava com pressa, segurando a bolsa junto ao corpo. Seus passos ecoavam e ela continuava a andar, rezando para que aquele monte de lixo não fosse um trapo de gente.

"Mas que droga de sandália!"

"chilépt! chilépt!"

É incrível como justamente quando não queremos fazer barulho, o fazemos.
Ela sobe a calçada, mas desce em seguida, arrependida, ao ver o tamanho daquele rato.

"Aaahhh!"

Pronto. Agora acordou o mundo! Com certeza aquilo no monte de papelão é um trapo de gente. Corre, corre, corre.

Segura a bolsa e corre?

E olha que a amiga, do vestido cortado, aquela da festa, lembra? Aquela que tem um dente de ouro... Nossa, tão brega isso! Ri. Lembro. Que tem ela? Olha que ela avisou: Vá de metrô.

É tão perto, quase ali, dá pra cortar pela ruela. É ou não é?

O trapo de gente está se levantando.

Olha quanta barba, olha quanto cabelo, olha quanto trapo nesse trapo de gente.

Corre, corre, corre.

"Volta aqui, minha dona!"

Eu heim!

"chilépt! chilépt!"

Droga de rato! Droga de sandália! Droga de dente de ouro!

Eu heim!

Ela vira a esquina, rezando para encontrar alguém. Lembra o nome de todos os santos. O trapo de gente atrás, mancando.

"Volta aqui minha dona!"

Eu heim!

Ela entra no primeiro ônibus que por sorte estava parando naquela esquina. Ufa! Essa foi por pouco.

"Volta aqui minha dona!" grita o trapo de gente, desistindo, enquanto o ônibus se vai e a mulher lhe mostra um dedo.

"A senhora deixou cair a bolsa!"




Guilherme Peace

domingo, 3 de maio de 2009

Marcelo Camelo na Virada Cultural 2009


Estive ontem na Virada Cultural, em São Paulo, especificamente na rua São João, no show de Marcelo Camelo, que teve início às 00:00 hs.

Camelo tocou as canções de seu disco solo e mais algumas composições suas nos Los Hermanos, em versões inusitadas.

No começo a qualidade do som estava baixa, mas logo isso foi resolvido. A banda Hurtmold, que o acompanhou, está de parabéns, assim como o público, sempre fiel. A organização do festival não deixou a desejar, pelo menos neste show.

Marcelo Camelo fez a versão "sem Mallu Magalhães" de "Janta", que impressionou pela qualidade dos arranjos. A última canção do show, "Além do que se vê" foi de arrepiar, quando os músicos iniciaram uma loucura de instrumental na hora do solo. O trompetista Rob Mazurek não deixou a desejar, e teve seu momento de show particular, muito aplaudido.

Durante todo o show, Camelo elogiou o público e a posição do palco, a vista que tinha dali. “Que lugar incrível. É muito lindo daqui de cima”, disse ele, bem mais emocionado do que na reunião com os Los Hermanos, no Just a Fest, onde fizeram abertura para o Radiohead.

Depois de emocionar o público com a última canção, Camelo foi até o canto do palco e beijou a namorada Mallu Magalhães, em sinal de que o show também o emocionou, provavelmente.

A Virada Cultural prossegue, e daqui a pouco eu sairei da casa do meu amigo Alex, na Sé, e caminharei até a São João, no mesmo palco em que assisti Marcelo Camelo, desta vez para ver a Maria Rita.

Acho melhor não me atrasar...




Guilherme Peace